Nem sempre a vida é como a gente quer, mas como pode ser. O desafio é buscar o equilíbrio entre possibilidades e limites para que o crescimento aconteça. Choros e lamentações não combinam com pessoas que querem vencer. Se não pudermos mudar os acontecimentos, deixemos que eles no modifiquem.


Eu me experimento humano o tempo todo. Descubro gostos, desequilibro-me com desgostos; cumpro a sina de ser gente e de viver os desânimos que são próprios de minha condição. Ser gente dá trabalho. Há um equilíbrio a ser conquistado que exige empenho diário. Estamos sempre cruzando pontes imaginárias. Pontes que nos levam aos melhores e piores lugares que estão dentro de nós e que nem sempre conhecemos.


A vida é o lugar das escolhas. O tempo todo nós estamos decidindo o que seremos, o que faremos, aonde iremos. Escolhas estão por todo lado. Construção humana e maturidade são edifícios que se alicerçam nas escolhas que realizamos ao longo da vida. Mas nem sempre a vida é escolha. Por vezes, sofremos o impacto de acontecimentos que não foram permitidos por nós. A vida e seu movimento constante convidam-nos a adentrar territórios que nem sempre gostaríamos de conhecer. O desejo é recusar, dizer não, virar a página do dia, acelerar o processo das horas, mas não podemos. A travessia da ponte é necessária para a continuidade da história. O fato está ali e não pode ser negado; precisa ser vivido.


Há sempre uma sensação de impotência em nós, cada vez que estamos diante do desconcerto de um acontecimento que não desejamos. É como se voltássemos aos primeiros anos de nossa vida e re-experimentássemos os limites daquele tempo. Crianças são cheias de limites, porque ainda não possuem condições cognitivas e emocionais para lidar com situações que lhe são adversas. A maturidade é que vai emprestando à criança o aprendizado de que nem sempre a vida é como a gente quer.


Crianças, se não educadas com responsabilidade, correrão o risco de passar a vida inteira querendo mudar os acontecimentos, só para não esbarrarem nos limites que lhe são próprios. Ao contrário, se educadas para a sabedoria que nos faz entender a vida como lugar de limites e possibilidades, descobrirão o quanto é interessante crescer no momento em que a vida nos contraria.
Um barco à vela não dá muito trabalho ao que o conduz, se os ventos estiverem favoráveis. Mas quando os ventos assumem posição contrária, quando o peso do leme se torna maior, então é o momento do aprendizado. Nenhum condutor de barcos será realmente bom, se não tiver passado pelo crivo de manter-se firme no meio da tempestade.


A vida é assim. O aprendizado é na prática. E a regra é simples: se não posso mudar os fatos, então deixo que os fatos me modifiquem. Se não posso alterar os acontecimentos, quero então ser alterado por eles. Quero o crescimento possível, a travessia que me é proposta. Porque ficar parado e lamentando a vida que não quero, é um jeito estranho de abandonar a vida que tanto desejo.

De Taubaté (SP), pe. Fábio de Melo, scj. Escritor e Cantor
Revista Ir ao Povo. Setembro 2007 Pg. 13

Quando o Vento Soprar
Olá VISITANTE!
©Copyright Lourdinas 2010 - Créditos